segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Estás longe

Ainda páro a tv na série que vias e deixo-a ligada nesse canal enquanto estou no computador, mesmo que a série não me diga nada em especial. Por seres tu, por ti, eu deixo-a a dar. O mais ridículo é que tu não estás aqui, nunca estiveste. Nunca quiseste. Nunca tentaste. Não te deste a esse trabalho. E eu não sei ser pela metade. Não sei ser metade num todo. Mas por ti, tentei ser essa metade, apenas. Estava disposta a ser a metade, o quarto, o que quer que fosse que te faltasse naquele tempo. Já foi tarde. Agora não conta, dizias tu. Quando para mim ainda contas tanto. Ainda existes tanto. Ainda vives tanto em mim. Às vezes acho que estou a ficar louca por querer tanto uma pessoa assim. Não tem cabimento o tanto que te quero, o tanto que me lembro de ti "nas casas, nos carros, nas pontes". As vezes que digo a mim mesma que já não me queres e que não significou nada e dou por mim a lembrar-me do que me dizias. Do que me fizeste sentir num tão curto espaço de tempo. Porque eu estava partida e agarrei-me a alguém que parecia importar-se, parecia querer saber o que fazia, onde estava e com quem estava. Mas não querias. Eram só tretas da boca para fora. Conversas idiotas que não consegui ver na altura e que hoje ainda estão presentes em mim. O mais idiota é passar perto de tua casa e esperar ver-te, esperar que me vejas e por algum motivo queiras que não acabe por aqui.


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